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QUAL É O NOSSO ENDEREÇO?

No Universo existe um número gigantesco de estrelas, sistemas de estrelas e sistemas planetários. Os sistemas de estrelas são compostos por estrelas que giram em torno de outras. Nos sistemas planetários, são os planetas que giram em torno de estrelas.



Para nós, a estrela mais importante é o Sol, o centro do nosso sistema planetário, que chamamos de Sistema Solar.

E o Sol é mesmo o centro das atenções! Em torno dele, orbitam nove planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão, além de no mínimo 61 satélites, milhares de asteróides e cometas.

O Sistema Solar fica dentro de uma galáxia, a Via Láctea, um gigantesco aglomerado com mais de 100 bilhões de estrelas e muitas nebulosas (nuvens de poeira e gás). Mas o Sistema Solar não é a única estrela desse show cósmico. É bem provável que existam muitos outros sistemas planetários dentro da nossa própria galáxia.

Nossa galáxia foi batizada de "Via Láctea" porque quando ela é vista no céu noturno, uma faixa branca e nebulosa cortando o escuro, se parece com um caminho leitoso ("láctea" é um adjetivo que vem de "leite"; e "galáxia" vem do grego "galaktikos", que quer dizer "branco leitoso". Existe até uma lenda grega que explica esse nome! ).

Então isso significa que nossa galáxia tem a forma de uma faixa? Não é bem assim. Na verdade, ela tem a forma de um disco. Mas, como o Sistema Solar está situado numa extremidade da galáxia, temos, daqui da Terra, um ponto de vista lateral. É a mesma coisa quando você olha um CD, por exemplo. Visto de cima, ele tem a forma de um disco, mas se você o vê de lado, ele é apenas uma faixinha estreita.

E ainda por cima, a galáxia é cheia de poeira... Não acredita?

Que os portugueses descobriram o Brasil em 1500, todo mundo está cansado de saber. Mas você sabia que a astronomia foi fundamental para os navegadores lusos chegarem aqui? As caravelas e demais embarcações utilizadas pelos portugueses se orientavam no mar pelo conhecimento sobre os peixes, os ventos e as correntes marítimas, mas também pela posição das estrelas.

Os instrumentos usados pelos navegantes daquela época tinham nomes engraçados: astrolábio e balestilha. O astrolábio permite medir a altura do Sol sobre o horizonte e, usando algumas tabelas associadas a operações matemáticas, é possível medir a latitude de uma embarcação.

A latitude é uma das coordenadas que nos localizam na superfície da Terra. A outra é a longitude, mas essa os navegadores não conseguiam determinar no mar.



A balestilha é uma espécie de régua graduada, que permite medir os ângulos entre as estrelas.

Os navegadores sabiam muito bem como usar a balestilha no Hemisfério Norte, onde a Estrela do Norte é visível. Ela fica pertinho do pólo Norte do céu, indicando a direção norte da Terra e facilitando a vida dos navegadores.


Mas aqui no Hemisfério Sul não existe uma estrela brilhante perto do pólo Sul celeste, e por isso os navegadores se orientavam pelas constelações, como o Cruzeiro do Sul.

O Cruzeiro do Sul é uma constelação, ou conjunto de estrelas, em forma de cruz avistada pela primeira vez em 1455, na costa da África.


Com o início da expansão marítima no Hemisfério Sul, ela se tornaria tão importante como a Estrela do Norte para a orientação dos navios.

Quem batizou a constelação de Cruzeiro do Sul foi Mestre João, físico, astrônomo e astrólogo que integrou a esquadra de Pedro Álvares Cabral. Ele descreveu em uma carta ao rei de Portugal, Dom Manuel, a localização exata do Brasil pela posição das estrelas. Mestre João foi comparado a Pero Vaz de Caminha por ser o "narrador do céu" do Hemisfério Sul, assim como Caminha descrevera as belezas da nova terra descoberta.
Nas noites de verão, quando não há uma única nuvem no céu estrelado, não dá a maior vontade de sair passeando por aí? Pois vamos aproveitar o bom tempo para dar uma volta pela vizinhança... pela vizinhança interplanetária.

Vamos chegar mais perto e dar um passeio pelos planetas do Sistema Solar. Quase todos os planetas se dividem em dois grupos: quatro pequenos planetas rochosos perto do Sol (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) e quatro planetas mais distantes, grandes e gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno). Muito pequeno e gelado, Plutão não entra em nenhum dos grupos e fica de fora da turma.

Saindo da Terra e indo em direção ao Sol, o primeiro planeta que encontramos é Vênus.


De vista até parece com a Terra, são mais ou menos do mesmo tamanho. Mas Vênus possui uma atmosfera irrespirável e é circundada por uma pesada nuvem, que torna sua superfície muito quente para que haja vida por lá (pelo menos é o que se acredita até hoje...).

Vênus também é o planeta que demora mais tempo para girar em torno de si mesmo no Sistema Solar.


Enquanto a Terra demora apenas um dia, Vênus leva 243 dias.


Sondas espaciais revelaram alguns mistérios do planeta: Vênus é cheio de crateras, montanhas e vulcões, e tem duas grandes planícies.



Continuando o passeio, é bom que se diga que a "paisagem" espacial é bem diversificada. Não existem apenas os nove planetas descobertos até agora, mas também satélites, cometas, asteróides, meteoróides, tudo envolvido numa fina camada de "poeira" interplanetária. Precisamos fazer uma faxina na galáxia qualquer dia desses...

Chegamos a Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol.


Esse pequeno planeta lembra a Lua, com sua superfície cheia de crateras.


Mas aqui o calor e o frio são insuportáveis, oscilando entre 430 graus Celsius no lado iluminado pelo Sol e -170 graus Celsius no lado escuro.

Quando a noite chega em Mercúrio, a temperatura cai muito, pois quase não existe atmosfera no planeta.

Por isso, vamos dar meia-volta, passar por Vênus e aproveitar para dar uma olhada de longe na Terra.


Quinto maior planeta do Sistema Solar, a Terra vista do espaço é uma esfera azul com manchas marrons e verdes (que são os continentes).

Ops, aí vem a Lua, o único satélite da Terra. Melhor seguir adiante.


Chegamos ao "planeta vermelho": Marte, o quarto planeta mais próximo do Sol e que, junto com os outros três, integra o grupo dos planetas rochosos do Sistema Solar.

Assim como a Terra tem seu satélite, a Lua, Marte também não está desacompanhado: possui dois pequenos satélites de formas irregulares, com nomes engraçados: Fobos e Deimos.

No século 19, os astrônomos acreditavam que Marte possuía sinais de vida, como marcas parecidas com canais de água e manchas escuras semelhantes a vegetação.


Hoje se sabe que as manchas de "vegetação" eram áreas de concentração da poeira vermelha, cor de tijolo, que cobre a maior parte do planeta.

Mas, em relação à água, esses astrônomos estavam certos: em junho de 2.000, cientistas descobriram que existe mesmo água em Marte!

Embora não tenham encontrado nenhuma evidência de "vida marciana", os pesquisadores dizem que o planeta tem as condições necessárias para a existência de seres vivos.

E, em agosto de 2003, Marte passou "raspando" aqui na Terra! Em 60 mil anos, essa foi a ocasião em que o planeta vermelho chegou mais perto da gente. Confira no Arquivo do Jornal do Canal!



O próximo planeta que encontramos pela frente é Júpiter.


É o primeiro dos planetas gasosos, ao lado de Saturno, Urano e Netuno.

Existem algumas características comuns a esses quatro planetas: são formados por elementos leves (diferente dos planetas rochosos, compostos de rochas e metais), possuem vários satélites e são bem grandes.

Júpiter é o maior dos planetas, "apenas" mil vezes menor que o Sol, e possui vários anéis e satélites.

Como sua rotação é muito rápida, formam-se fascinantes estruturas de nuvens.

A mais incrível é uma tempestade chamada de Grande Mancha Vermelha, uma coluna em espiral de nuvens aproximadamente três vezes maior que a Terra!


Depois do gigante Júpiter, encontramos Saturno.

E aqui o visual é deslumbrante, porque os anéis em volta do planeta formam um lindo espetáculo de cores.

O sistema de anéis de Saturno é muito fino, com menos de um quilômetro de espessura, mas se estende por mais de 420 mil quilômetros além da superfície do planeta.

Como se não bastasse, Saturno é também o planeta com maior número de satélites, mais de 20 identificados até agora.

Se não fosse inabitável para os seres humanos, seria um lugar bonito de se morar...


Desviando das belezas de Saturno, chegamos a Urano, o terceiro maior planeta do Sistema Solar.

Constituído por uma mistura densa de diferentes tipos de gelo e gás ao redor de um núcleo sólido, Urano possui uma atmosfera com traços de gás metano, responsável por sua cor azul-esverdeada.

É rodeado por 11 anéis, compostos pela matéria mais escura do Sistema Solar, e por 15 luas conhecidas, todas de gelo.

Pena que, ao contrário de Saturno, cujo sistema de anéis tem milhares de quilômetros de largura, os anéis de Urano são muito pequenos e difíceis de identificar.



Próxima parada: Netuno, oitavo planeta do Sistema Solar.

Quatro vezes maior do que a Terra, ele tem quatro satélites principais e, como Saturno, também possui anéis, que só foram detectados em 1977!

É o último dos grandes planetas gasosos, composto principalmente por hélio e hidrogênio.

A atmosfera possui grandes manchas, que na verdade são enormes tempestades que dão a volta no planeta com ventos de cerca de 2 mil quilômetros por hora!

Depois dele vem o minúsculo Plutão, o menor do Sistema Solar, que não se encaixa em nenhuma classificação anterior e possui apenas um satélite.

Tem uma órbita bem maluca e é difícil de ser compreendida, tanto que às vezes chega a entrar em órbita alheia, quer dizer, na órbita de seu vizinho Netuno. Plutão passa pela órbita de Netuno durante 20 anos dos 248 anos que leva para dar uma volta ao redor do Sol.

Descoberto somente em 1930, Plutão é o último planeta do Sistema Solar. Pelo menos até agora.


Há suspeitas de que exista um planeta ainda não identificado, que por enquanto é conhecido pelo misterioso nome de Planeta X.


Bem, mas vamos deixar esse mistério para os cientistas e voltar para casa sãos e salvos.


A estrela que deu errado

Quem já tentou fazer um bolo sabe: às vezes alguma coisa misteriosa acontece dentro do forno e pronto, o bolo "esquece" de crescer e fica todo murcho. Pois com as estrelas acontece uma coisa parecida! Quer saber como?

Bom, para conseguir um bolo gostoso, a gente precisa de duas coisas: da massa e do calor do forno. Pois para fazer uma estrela a gente precisa das mesmas coisas! Só que a massa de um estrela é também o forno! Como assim? É que a massa de fazer estrelas não é feita de farinha de trigo e ovos, não: ela é composta de gases, principalmente hélio e hidrogênio.

Esses gases, de vez em quando, resolvem se comprimir, e essa compressão libera uma montanha de calor! Ou seja, em vez do forno, é a própria massa que "assa" a estrela! E, quanto mais massa, mais calor! Com a temperatura hiper-ultra-alta, o hidrogênio da massa começa a queimar e acontece um negócio chamado fusão nuclear. Essa fusão libera um "gigantilhão" de energia e, popt, nasce uma estrelinha!

Mas, de vez em quando, o Universo resolve fazer uma estrela com um pouquinho só de massa. Aí já viu, né? Pouca massa, pouco calor. Resultado: uma estrela murcha? Não, uma...anã marrom! É por esse nome engraçadíssimo que os astrônomos conhecem as estrelas que não deram certo!



Novas, supernovas e hipernovas?

Daqui de baixo, do bem-bom da Terra, a gente acha que o Universo é um tédio só, e que a coisa mais emocionante que acontece no céu é uma estrela cadente passar de vez em quando. Será? Que nada! Lá em cima acontece cada explosão de cair o queixo! São as novas, supernovas e as inacreditáveis....hipernovas!

A negócio é o seguinte: as estrelas, de vez em quando, encasquetam de explodir. Quando a explosão acontece em uma estrela pequena, do tamanho do nosso bom amigo Sol, ela é chamada de nova. Depois da nova, a estrela "explodida" encolhe bastante - fica mais ou menos do tamanho da Terra -, perde um bocado do seu brilho e passa a ser chamada de anã branca! E, apesar do nome, uma nova não é exatamente nenhuma novidade: milhares delas acontecem todos os anos

E se quem explodir for uma estrela bem maior do que o Sol? Ah, aí é a vez da supernova, uma explosão tão, mas tão gigante que pode ofuscar o brilho de um bilhão de sóis juntos! É claro que, grandona assim, a supernova já não é tão comum: em todo o Universo, só uma delas acontece a cada ano. E, dos "restos" da supernova, pode surgir um negócio chamado pulsar, bem pequeno e superdenso, ou um buraco negro!

E, para terminar, tchan, tchan, tchan, tchan...as hipernovas! Essas explosões acontecem muito raramente e só com estrelas realmente enormes, mais de dez vezes maiores que o Sol. E o brilho de uma hipernova? Não tem óculos escuros que agüentem: a luminosidade provocada por esse tipo de explosão é 100 bilhões de vezes maior do que a do nosso pobre Solzinho! A tal da hipernova dá origem a buracos negros e a incríveis jatos luminosos de um tipo de radiação chamada de raios gama. Ai, que medo!

VAI PELA SOMBRA!

Quando um corpo celeste passa na frente de outro, acontece o eclipse. Os eclipses do Sol e da Lua despertam o maior interesse. Todos querem ver porque é um lindo espetáculo. Você já viu algum? E sabe qual a diferença entre o eclipse solar e o lunar?

Nos dois tipos de eclipses o que acontece é que o Sol, a Terra e a Lua estão alinhados. O que muda é a posição de cada um.





No eclipse lunar, a Terra fica entre o Sol e a Lua. É quando vemos no céu a Lua ser encoberta pela sombra da Terra.

No eclipse solar, a Lua passa entre o Sol e a Terra, projetando sua sombra sobre a Terra.

Há vários tipos de eclipses, mas em geral podemos agrupá-los desse modo.


BELEZA TOTAL

O eclipse pode ser total ou parcial. O eclipse total do Sol ocorre quando a Lua encobre completamente o Sol. Nas regiões onde o eclipse é visível, o dia escurece e, como não há luz do Sol, dá para ver no céu os planetas e as estrelas mais brilhantes. É um fascinante "efeito especial".

No eclipse total da Lua, a Terra encobre a Lua com sua sombra. Mesmo assim, a Lua não fica "no escuro", porque os raios solares que incidem sobre a Terra são desviados pela atmosfera e acabam iluminando a Lua. Resultado: no eclipse total lunar, a Lua ganha uma cor avermelhada. Outro incrível "efeito especial" proporcionado pelo Universo.